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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Drink bar (dorinku baa)

Quando os brasileiros vão aos Estados Unidos, ficam doidinhos com o refrigerante 'refil', em que o garçom vai trazendo mais refrigerante a medida que o seu copo esvazia.
Ahh se eles soubessem como é no Japão! Como eu sou legal, vou compartilhar com vocês uma das minhas coisas preferidas no mundo de ponta cabeça.
Aqui no Japão, no lugar de pedir pro garçom o refrigerante 'x', você fala que vai querer o 'drink bar', ou 'dorinku baa' que é como eles falam em inglês-japonisado. Então você levanta da sua mesa e vai até o drink bar e pode escolher o que quer tomar, seja chá, café ou refrigerante. Cada restaurante é diferente, alguns tem chocolate quente, milk tea, slush ou até mesmo o meu novo preferido: matcha latte. E o melhor de tudo é que você pode voltar lá quantas vezes quiser. É ótimo para poder experimentar todas as bebidas desse lugar, tipo refrigerante de melão (cheio de corante, mas é uma delicia), de uva verde, de frutas, do que for. Apesar da grande variedade e qualidade (afinal de contas, em alguns lugares tem até café brasileiro) de bebidas, o Drink Bar não é caro, custa cerca de 2 dólares por pessoa.
Tem tanta coisa pra contar sobre esse lugar... Algum dia eu poderia até fazer um post só sobre as bebidas diferentes daqui... Hehehe



sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O mundo de ponta cabeça

Lembra daqueles desenhos em que o personagem ia pra China e quando chegava lá tudo era de ponta cabeça? Bom, eu não estou na China, mas o efeito é quase o mesmo...
Mesmo tendo crescido em um lar japonês- brasileiro, tudo aqui é diferente pra mim... Pelo menos eu conheço a comida heheh. A língua é diferente, a escrita é como se fosse desenhinhos, eles nem tem os mesmos sons que nós temos (tipo L, V, F...), eles dormem no chão e comem com palitinhos. O fuso horário é o oposto do Brasil, bem como as estações do ano. Eles lêem de cima pra baixo e os livros começam na ultima pagina. Eles dirigem do lado oposto e a moeda funciona de um jeito diferente. É um dos países com a tecnologia mais avançada do mundo (isso é, se não forem os mais avançados né) e nem por isso as casas tem calefação, lava-louça, secadora de roupa ou forno. Acho que deu pra entender né? Tudo aqui é do contrario... Mas nem por isso, virar tudo que eu sei do avesso basta pra eu me encaixar... Vou precisar da ajuda do cara que fez o Japão!

A nossa vida aqui no lado avesso tá começando a se encaixar, embora falte muuuuuita coisa...
- Nós fomos visitar o lugar que vamos morar, em Sakaimachi, que é uma cidade mais no interior e bem pequenininha. Tem muito mais espaço do que Tokio e acho que vai dar pra fazer tudo de bicicleta. Vamos morar na frente do shopping e bem pertinho de tudo que precisamos. O lugar ainda precisa ser remodelado, por isso vai demorar um pouco pra nos mudarmos. Estou ansiosa pra ir comprar minhas coisinhas de cozinha e fazer minhas comidinhas brasileiras. Na volta, vi um sinal escrito 'igreja evangélica' e na hora nem me dei conta... Mas quando percebi que era português mesmo, fiquei super feliz. Mal posso esperar pra ir lá!
- Também fomos na casa de oração para conhecer o irmão e a cunhada da minha amiga Kelly, e foi super legal! Me senti mais a vontade aqui no Japão e mais encorajada a continuar seguindo em frente. As vezes as diferenças na cultura aqui são capazes de nos desanimar, mas é bom saber que outras pessoas conseguiram e que eu posso contar com eles pra me ajudar. Obrigada Deus!
- Hoje eu e o Jesse fomos na empresa que cuida dos casamentos em que o Jesse vai trabalhar. Praticamente, ele só precisa melhorar o japonês dele (que é muito melhor que o meu e que não deixa que a gente fique tão perdido).

Pedidos de oração:
- Contra toda batalha espiritual nas nossas vidas: o Japão pode ser seguro, limpo e tudo e tal, mas a batalha espiritual é grande e precisamos estar fortes pra não cair nas ciladas do inimigo.
- Pra que nós estejamos focados no propósito que nos trouxe ao Japão: ser a luz de Jesus e mostrar o amor de Deus por essas pessoas.
- Pra que a gente tenha facilidade em aprender a língua (mas estamos aceitando receber o dom de línguas estranhas, vulgo japonês, também)
- Pela nossa adaptação com a cultura do pais... Afinal de contas, não queremos ofender as pessoas, nem sem perceber.

Obrigada!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Chegamos no Japão!!

Bom, chegamos no Japão na quarta-feira a noite... e só dormimos mesmo! Na quinta-feira eu tava muito "overwhelmed" (hum, como descrever overwhelmed? é tipo aquela sensação de ser muita informação, talvez um desconforto... sei lá...). Fomos ao mercado e de verdade, eu chorei lá... porque eu não entendia nada o que tava escrito e porque achava tudo muito caro. Um dólar é igual a 85 yen, então a sensação é de que é mais caro que o normal... (mas é caro mesmo, e tudo minúsculo, e nem deu pra aproveitar as coisinhas boas, pq eu não sabia o que era...).
A tarde a gente basicamente foi tirar uma soneca e caiu no sono até 11:30pm... e eu achando que porque a gente tinha dormido a noite inteira, tínhamos superado o jetlag... quem dera...
Mas enfim, vou esclarecer a parte que eu acho que só as pessoas dos EUA estão sabendo direitinho...

Estamos na igreja "The Jesus Fellowship", do pastor Masatoshi Ohno... Esse pastor era sustentado pela igreja do Jesse em Arvada, a Faith Bible Chapel. O tio do Jesse, que é pastor, que nos recomendou falar com o pastor Ohno e tudo deu certinho, eles precisavam de gente pra vir aqui. (Bom, o Japão precisa de gente desesperadamente, né? É um dos lugares mais não alcançados do mundo!).
Por enquanto vamos estar fazendo bastante coisa na igreja, participando dos cultos e dos estudos bíblicos... Ainda não dominamos a língua, então algumas coisas são um pouco complicadas né.
Em breve, a igreja que estamos pretende plantar uma nova igreja em outra região do Japão, utilizando como estratégia as aulas de inglês (é aí que a gente entra!).

Meu cérebro ainda tá um pouco 'fuzzy' (vago) e por isso eu nem sabia direito o que escrever... mas estamos tranquilos... estamos ansiosos para ver transformação nesse país através do amor de Jesus!
Estejam orando por nós, pra que a gente não se acomode por estar na igreja, mas que em nossos corações, a gente esteja ardendo pra trazer novas vidas para Jesus! :)

Essas máquinas estão em todos os lugares!! De verdade!

Não dá pra ver as proporções na foto, mas até o caminhão de lixo é pequeno!! hahaha

Sorvete de casquinha pronto... hahaha coisas curiosas do Japão...

Nosso primeiro Ramen!! (Que aí chamam de Lamen). Uma delííííííííííícia!

Esse é o pastor Ohno, sendo tipicamente japa! 
Eu e o Jesse comendo nosso primeiro Ramen! :)

Voando com a Singapore

Bom, como eu estudava turismo, eu me interesso bastante por essas coisas e então eu sabia que a Singapore Airlines era considerada umas das melhores companhias aéreas do mundo. Por isso fiquei bem ansiosa de voar com eles.
A fila do check in foi bem rápida e a moça gentilmente nos ofereceu um upgrade: no lugar de voar na cabine principal, voamos no deck de cima, SIM, um avião de dois andares. Não que tenha feito muita diferença, mas pelo menos tinha muito menos gente.
O vôo demorou pra sair devido a problemas técnicos, a pior parte foi esperar dentro do avião quente... Hehe. Mas aí começaram a distribuir as coisinhas, além do cobertor e travesseiro, eles deram um fone de ouvido muito melhor que das outras cias que eu já voei, uma necessaire com meia e escova de dente, e o menu maravilhoso que me deixou morrendo de fome. Ah, e a tv de entretenimento era grandinha, na mesinha tinha um espelho e até encosto de pé.
O almoço era uma delicia, tinha duas opções, japonesa ou internacional. Escolhi a opção japa, que era salmão e tinha soba noodles e uma entrada meio estranha, além daquele pãozinho de sempre (que normalmente é o que salva né). A sobremesa era sorvete da Haagen Dazs huuuum.
Depois ainda teve um jantar, que era arroz frito ou carne com purê de batatas. Mas a refeição que eu perdi mesmo - porque tinha que ser solicitada - era sanduíche, que vinha com batata, chocolate e mais um monte de coisa. Poxa! Então com relação a comida a Singapore tem em abundância e tava tudo bom.
O banheiro, apesar de ser normal, tinha algumas comodidades a mais: perfume, creme (com fragrância exclusiva para a Singapore), enxaguante bucal e copinhos e a parte preferida da mulherada, um espelho de corpo inteiro!!!
Isso tudo na classe econômica! Pelo que eu vi, a classe executiva tinha o tamanho de duas poltronas normais, e encosto de pé que é tipo um branquinha pro pé.
Apesar de todos esses confortos, tive um vôo bem desconfortável haha porque viajar de dia na poltrona do meio não é fácil mesmo! Mas enfim... eu achei que é legal por ter todas essas coisinhas e nem por isso foi mais caro, pelo contrário, foi a opção mais barata que achamos! :)

Aumentando a minha ... (Complete aqui)

- Fé
- Confiança
- Esperança
- Coleção de cabelos brancos

Bom, aqui vou contar a história do meu visto... A versão estendida e com uma possível explicação do porque de tanto stress.
Demoramos um pouco para acertamos os nossos contatos no Japão. E ainda por cima, ele não poderia processar o nosso visto, de maneira que tivemos que pedir para outro pastor fazer isso pra gente. Aí tivemos problemas com o email dele, que voltava todas as mensagens. Finalmente, durante a época do Natal, conseguimos entrar em contato com ele e descobrir qual eram os procedimentos que eu e o Jesse deveríamos fazer. Pra tirar o visto de longo termo, é necessário ter o 'certificado de elegibilidade', que é o documento que demora mais para sair, depois disso, em cinco dias úteis, o visto é processado.
Quando chegou o ano novo, percebemos que já não tínhamos mais tempo (meus pais chegariam em uma semana e nós todos planejávamos ir viajar de carro até a Califórnia.). Oramos, oramos e oramos, mas parecia que Deus não nos falava qual seria o próximo plano. Finalmente, 9 dias antes do nosso vôo, ele falou: deveríamos pegar o visto de turista para mim. Enquanto preenchíamos os formulários, ligamos para o pastor Ohno e ele nos disse que poderíamos pedir o visto de longo termo na Coreia, o que amenizava e muito um problema. No dia seguinte, levamos tudo na embaixada japonesa em Denver e mais um problema: eu não poderia tirar o visto lá, porque eu estou sob visto de turista nos US. No entanto, por ser casada com cidadão americano, o cara da embaixada fez de tudo para nos ajudar e de fato, conseguiu. Meu visto de turista saiu em 4 dias úteis e ele é lindo e com florzinhas.
Mas essa história não valeria de nada se eu não tivesse aprendido algo. Eu achava que Deus estava deixando tudo 'sair do meu controle' de propósito, pra eu aprender que ele planeja muito melhor do que eu sequer posso imaginar, mas no meu orgulho não conseguia ver. De fato, ele é sempre gracioso conosco quando a questão é tirar vistos e eu deveria saber que tudo iria dar certo, porque Deus é fiel sempre. Preciso me lembrar sempre de que Deus sabe planejar muito melhor do que eu, porque ele já sabe o que vai acontecer no futuro e porque o controle de tudo sempre está nas palmas da mão dEle. Toda honra e gloria seja dada a Deus!!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Carta aos amigos e família (Extensão da nossa Newsletter)


Queridos amigos e família, 

Obrigado por suas orações e suporte. Ultimamente, estivemos orando e esperando no Senhor por uma direção clara no próximo passo da nossa jornada.

Desde o começo, o Japão tem estado nos nossos corações e  o povo japonês também. Nós continuamos a entregar todas essas coisas ao Senhor, orando para que a vontade dEle seja feita. Nos começamos a dar passos em direção ao Japão, deixando as coisas abertas para o Senhor enquanto nós comprometemos nossos planos para Ele. Não queremos que a nossa vontade seja feita, mas a Dele.

Esperamos com paciência para que o Senhor se movesse, mesmo quando parecia que nada estava acontecendo. O tempo estava acabando, e apesar de termos nos preocupado, confiamos no nosso grande Deus que nos segura em suas mãos. Alguns dias atrás, nossa esperança se renovou, e as coisas comecaram a se desdobrar! Parece que o Senhor está abrindo portas e abrindo o caminho para nós! Assim, com esperança e confidência nós vamos para frente e agradecemos a Deus pela sua grande fidelidade. Uma igreja local estendeu os braços para nós, e o pastor está nos ajudando com todos os detalhes. Me ofereceram um trabalho de "condutor de casamento", no qual eu estarei ministrando aqueles que querem ter casamentos no estilo 'tradicionalmente 'americano'. Essa é uma oportunidade de compartilhar Jesus e uma maneira de nos sustentar no campo missionário. Esse pastor também estava orando a respeito de ter aulas de inglês na escola internacional que começará no ano que vem e eu poderei trabalhar como um professor de inglês. Dessa maneira, parece que o Senhor está juntando todas as peças no tempo certo (como ele sempre faz). A Erika também poderá usar os seus dons e talentos como uma fotógrafa.

Como vocês podem ver, as portas estão se abrindo e nosso caminho está ficando claro. Mesmo assim, nós nos comprometemos humildemente ao Senhor, sabendo que no final, tudo o que importa é a vontade dele nas nossas vidas. Estamos felizes que, de fato, o gracioso favor dele está brilhando sobre nós.
Ainda há alguns detalhes que precisam ser acertados, principalmente com relação a vistos. O governo ainda precisa nos aceitar como missionários no Japão. O visto da Erika é mais complicado porque ela é brasileira, mas ela pode conseguir exceções por ser minha esposa. Outro fator é que o nosso tempo é muito curto (4 semanas). Nosso Deus é mais do que capaz de organizar todas essas coisas. Se foi ele quem abriu todas essas portas, com certeza ele vai abrir mais essa.

Portanto, queridos amigos e familiares, pedimos que vocês nos cubram em oração. Mais do que tudo, peça que a vontade do Senhor seja feita aqui conosco na terra como é feita no céu. Ore para que se for da vontade dele, todas as coisas aconteçam sem problemas com nossos vistos e que ele nos dê favor com o governo japonês. Ore por nós como servos do Senhor, para que a continuemos humildes e vivendo como filhos obedientes. Ore para que o Espírito dele nos guie e vá adiante de nós, e que os nossos olhos permaneçam nele.

Que o nosso Senhor Jesus Cristo seja honrado e glorificado em tudo que nos fizermos. Que o nosso pai no céu receba toda a glória e que a luz do seu evangelho brilhe sobre o Japão e que o amor dele alcance essas pessoas. O inimigo não pode prevalecer contra nosso Deus. Nosso Senhor é vitorioso e poderoso, não há barreira ou fortaleza que possa permanecer diante dele.
No nome do nosso senhor Jesus Cristo, amém.



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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Testemunho - Filipinas


"Meu nome é Erika, eu tenho 19 anos e sou do Brasil" - Repeti essa frase cerca de 100 vezes em um mês e meio.

Bom, seis meses atrás eu fui para o Hawaii, e ao contrário do que todo mundo pensou, não fui pra surfar.
Praia, sol e mar todo dia? Esqueça!!
Minha rotina diária era aula, Jesus e limpar banheiro!
Fiz uma escola chamada PhotogenX, que visa combater a injustiça no mundo através da fotografia e então além das aulas sobre Deus e o seu caráter, tive aulas de fotografia e muitas informações sobre as mais diversas questões de injustiça. Meu coração foi moído nessas horas, mas aprendi a agradecer a Deus pela minha vida em Curitiba.
Tive a oportunidade de conhecer a Hakani, aquela indiazinha que escapou do infanticídio.
Mas de tudo o que eu aprendi e vivi lá, a mais importante e especial coisa que eu conquistei foi que eu aprendi que Deus está perto de mim, ele é mais real do que eu imaginava e que eu posso ter um relacionamento verdadeiro com ele, porque ele me responde.
Na segunda parte da minha escola fui tirada completamente da minha zona de conforto e fui mandada para as Filipinas.
Eu achava que ia mudar o país, que cada lugar que eu chegasse as pessoas iam aceitar a Jesus e mudar completamente. E Deus resolveu me mostrar como eu sou pequena e não posso fazer nada. Logo na primeira semana, eu estava em uma lanchonete sentada, comendo uma batata frita, aí veio um rapaz com um bebê e me pediu comida pra alimentar a criança. Dei a minha batata frita, mas não me senti uma heroína, pelo contrário, vi o quão impotente eu sou e como eu não posso fazer nada pra mudar a situação daquele país. Só Deus e oração pra mudar isso mesmo.
Nunca estive em um lugar tão pobre (Filipinas é o segundo país mais pobre da Asia e o décimo terceiro mais populoso do mundo).
No primeiro mês, trabalhamos diretamente com uma da consequências da pobreza: a prostituição.
Eu, que antes julgava e olhava torto, tive meu coração completamente quebrado por essas meninas.
Na primeira vez que fui ao bar, eu realmente não sabia como reagiria. Eu não conhecia ninguém que estava indo comigo e estava praticamente sozinha. No caminho, fiz uma pequena oração. Pedi a Deus que pudesse olhar para aquelas meninas da maneira que Ele olha. E foi tão fácil amá-las! Não olhei nas roupas, nem nas danças pra tentar atrair algum cliente. Olhei nos olhos. Voltei para casa realizada, porque eu sabia que tinha cumprido a meta: EU TINHA AMADO!
Durante esse mês, tínhamos a tarefa de criar um livro para alertar o governo filipino sobre o que acontece no país.
Mas o governo é completamente ciente disso. O livro por si só não mudaria nada! Um dia, Deus falou tanto comigo sobre o livro.
Ele me revelou o que estava no coração dele sobre esse livro. E ele falou que só a oração é capaz de mudar a situação da prostituição nas Filipinas. A partir daí, escrevemos uma oração para colocar no livro, que agora sim pode trazer esperança para as meninas, já que esse era o nosso foco principal. O nome do livro, traduzindo para o português é: "Expostas: Revelando Valor".
Em uma noite, fomos para a cidade de Angeles, que é o lugar mais sujo em que já estive em toda a minha vida. É bar atrás de bar e cada bar é enorme e cheio, cheio de meninas.
Cada menina nesses bares tem um crachá com um número e uma cor. Cada cor define um diferente preço e o número é a sua identificação. Entramos em alguns bares e a única maneira de falar com as garotas era ir aonde elas estavam dançando. Minha líder contou que em um dos bares em que entramos, quando fomos no stage dançar e conversar com as meninas, aquele sorriso falso de tentar atrair algum cliente se transformou em um sorriso verdadeiro, de quem estava se divertindo mesmo. Aquela hora percebi o quanto nossas pequenas ações fizeram a diferença na vida daquelas meninas.
Aí nosso ministério mudou completamente: fomos do bar pra igreja, literalmente.
Foi um tempo muito difícil pra mim, pois meu coração estava completamente em combater a injustiça e eu não via sentido em falar meu testemunho para pessoas que já conheciam a Deus. (depois fiquei sabendo que muita gente ia nas igrejas só pra ouvir a gente falar, porque a gente era diferente e tal)
Foi um tempo em que Deus escolheu para ME moldar e me tratar. Porque todas as vezes que eu me sentia frustrada, eu sabia que não poderia voltar pra casa, então corria pro colo de Deus e ele sempre levou todas as minhas frustrações embora. Ele me deu duas palavras específicas para aquele período e de fato, tratou muito a minha vida nessas áreas: alegria e ousadia!
Foi um tempo em que pude ver a beleza de Deus, vi como ele é lindo através do sorriso das pessoas, das casinhas com chão de barro, do céu estrelado, da alegria do povo filipino… Percebi que mesmo que o que eu estivesse fazendo fosse algo que eu, a Erika, não gostasse, fazer a vontade de Deus me deixava muito mais completa do que fazer o que eu estava fazendo antes.
Eu contava os dias pra ir embora das Filipinas, mas agora, após refletir um pouco, percebo o quanto sinto saudades daquele lugar e que tudo o que eu queria agora é estar lá de novo, sorrindo pras pessoas, e fazendo não a minha vontade, mas a vontade de Deus para mim..."

Erika Hayashi



- Poderia focar esse texto em mil diferente coisas, mas esse foi o testemunho que dei na minha igreja, a Comunidade Cristã Reviver. Esse mesmo testemunho também está disponível no site da comunidade (www.ccreviver.com.br).
- Quanto a minha vida daqui pra frente, eu não sei! Eu não faço ideia do que vai acontecer no próximo ano, estou realmente esperando em Deus, gostaria de continuar em missões, bom, espero poder vir logo com mais notícias.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Comida nas Filipinas

Como eu falei antes, é a hora que eu esqueço o mundo inteiro, os problemas e tudo mais. O lugar é cheio de bakerys, que alegram meu coração e me lembram um monte o Brasil. Portanto, vou deixar vcs morrendo de água na boca com uma foto de uma iguaria filipina deliciosa.



Yummy!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Filipinas - primeiras impressões

3 de julho de 2010.
Calor desgraçado do caramba, abafado, sem vento e úmido. Mas a decisão de amar ou odiar um lugar era minha e eu decidi amar o lugar. As vezes eu começo a odiar, aí lembro que os próximos 2 meses e meio da minha vida serão aqui e começo a amar de novo.
A cidade é fascinante, os jeepneys, as bicicletas q carregam pessoas no carrinho do lado (eles chamam de triciclos - são como os da Tailândia), as pessoas baixinhas e simpáticas, as luzes de uma cidade grande. Fascinante.
O lugar também é muito pobre, e talvez por isso, fazer compras nas Filipinas é muito barato. Com 30 dólares, comprei uma bolsa, um case para o meu laptop (que provavelmente não vai ser muito utilizado aqui, pq não tem internet em todo lugar) e um guarda-chuva.
To na base da YWAM Manila, que é uma casinha super simples, que não dá nem pra comparar com a base de Kona. Pelo menos, a comida é muito mais gostosa! As cortinas são bordadas de crochê.
A descarga funciona assim: pega um baldinho, enche de água e joga no vaso. Se necessário, repita a operação.
O banho funciona assim: pega a caneca, enche de água e se molha. Use sabonete. A água é gelada, mas faz tanto calor aqui que o banho se torna super refrescante. Até a hora que você decide usar a sua toalha pra se secar.
Fomos num lugar cheio de crianças, fizemos um teatro e uma dança. Meu Deus, como elas são apaixonantes. Queria que eu não estivesse tão nojenta e suada. O calor tem o poder de paralisar a gente, mas se você parar pra pensar, pelo menos eu abraço mesmo, sem ter nojo de a outra pessoa estar suja.
Mas sério, é tão úmido aqui, que mesmo pelada faz calor. Por isso, nem faz tanta diferença que eu não possa usar regatas e shorts aqui. Só faz diferença pra minha vaidade, mas quem se importa com vaidade quando você tá suando o tempo inteiro mesmo?
Fui apresentada à uma iguaria filipina chamada Balut, que são ovinhos com patinhos de 16 dias e você come inteiro. Acho que eu não preciso mencionar que eu não comi, né?

Eu to na Ásia!

Yeah, BEM VINDOS AO MEU OUTREACH.


5 de julho de 2010.

Agora sim, a frase do Donald Miller da capa do meu blog faz sentido.
Nunca desejei tanto estar em casa. Nunca dei tanto valor pras pequenas coisas. Nunca quis tanto tomar um banho!
Sério, quem nunca tomou banho de caneca não sabe como é bom tomar um banho de chuveiro.
Dias sem tomar banho (total *detalhe: baby wipes foram usados nesses dias): 2
Máximo número de dias seguidos sem tomar banho: 1
Pretendo atualizar essa lista.
Mudamos para um lugar onde temos ar condicionado, meu Deus do céu, como é delicioso. Mas como nem tudo pode ser perfeito, lógico, o banheiro é mil vezes mais assustador. Pra começar que não tem água corrente.
Quando a gente fez aquela coisa de beber água suja na aula e tal, eu fiquei impactada, mas aqui as coisas são muito mais diferentes: eu não tenho água na torneira e nem na descarga e é assustador.
Nunca dei valor pela água que sai da torneira. Ok, eu não desperdiçava água em casa, mas também nunca agradecia. Aqui, pra escovar os dentes, eu preciso levar a minha garrafa d'água com filtro pra lavar a escova.
Saudades de casa, do meu chuveiro, da minha pia e torneira com água corrente, de poder deixar meu shampoo no banheiro, de poder ir pro meu quarto só de toalha, de dormir na minha cama, com o meu cobertor e meu travesseiro. Saudades de ir tomar banho ainda limpa do último banho, de lavar o rosto a hora que eu quiser, de fazer xixi sem se preocupar com a descarga.

SAUDADES DO BEIJO ESTALADO NA ORELHA QUE MEU PAI ME DAVA TODO DIA QUANDO CHEGAVA DO TRABALHO. Saudades de ouvir a voz da minha mãe falando pra não bater a porta e de implicar com o Seiti sobre o Diante do Trono e o Fifa.

(Ok, quando chega a hora de qualquer refeição aqui nas Filipinas eu simplesmente esqueço o mundo, as canecas, a falta de água…)


06 de julho de 2010.

Amanhã vamos pra Olangapo, lá tem um café com wireless, só de pensar, meu coração pula de alegria, mal posso esperar pra falar no Skype com meus pais.
Hoje tivemos um team time e foi super bom, pude abrir pro meu grupo algo que tava me preocupando em casa e foi super bom, oramos juntos e sei que Deus tá no controle de todas as situações.
Fomos num camelozão em baixo do metrô. Doido! Meus olhos não agüentavam tanta poluição. Subi num mini-shopping no meio do camelô e fiquei olhando pela janela. Tanta gente. Coisa de louco. Nunca vi tanta gente junta no mesmo lugar, tanto barulho, um barulho interminável. Sentada no meu canto, um cara com um bebê veio me pedir comida, dei o meu pacote de batata-frita quase inteiro pra ele. Nunca vi tanta pobreza em um só lugar. Nunca me senti tão impotente. Por mais que eu tenha dado minha comida, ela só vai ser suficiente pra saciar a fome daquela criança por algumas horas, o dia seguinte vai ser novamente uma luta pra conseguir comida.
Esse lugar tem o poder de deixar a gente "overwhelmed". Tanta gente, tanto barulho, tanta pobreza.

Pelo menos, acho que eu estou me acostumando com o clima. Não tá mais tão insuportável, dá pra sobreviver.

A noite, estávamos relaxando na sala de estar, até que as crianças da vizinhança começaram a gritar: "Abram o portão" e daí começaram a chamar alguns nomes, entre eles o meu: "Erikaaaaa, Erikaaaa". Irresistível. Por mais que eu tivesse com muita preguiça e com a mínima vontade de suar, tive que ir lá brincar com eles por um tempo. E foi maravilhoso, eles ficavam disputando pra ver quem ficava no meu colo e quem dava a mão pra mim durante a brincadeira de rodar… Por mais que eu não entendesse o que algumas crianças diziam, foi maravilhoso. E quando elas viam que a gente tava suando, elas simplesmente passavam as mãozinhas delas no nosso rosto pra secar… Um pouco nojento sim, mas a atitude deles era tão nobre que não tinha como não se sentir honrada… Me senti feliz depois de brincar com elas… é uma das atividades que faz o mundo parar, o tempo passar depressa, uma coisa que dá uma alegria inexplicável.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Aonde? Quando? Por quanto tempo?

Não vou ao Hawaii somente a passeio. Chegarei lá no dia 8 de abril (mas vou sair dia 7 daqui). Na cidade de Kailua-Kona, vou fazer um treinamento missionário que utiliza a fotografia como instrumento para mostrar a injustiça. Lá, dividirei um quarto, no campus da University of the Nations com algumas garotas durante 3 meses.
Depois, vou botar em prática o que eu aprendi e, quem sabe, passar perrengue... Esse ano, o foco do outreach (alcance) é na parte central e leste da Ásia. Não sei ainda para onde eu vou, mas posso dizer que estou ansiosissima. Depois de quase 3 meses, voltarei ao Hawaii com uma bagagem enorme e uma vida certamente transformada.
Acho que volto no dia 27 de setembro...

Where? When? How much time?
I'm not going to Hawaii only to take a trip. I'll arrive April 8th and leave Brazil April 7th). In Kailua-Kona, I'm going to do a missionary training that uses photography as a tool to show injustice. There, I'll share a dorm, at University of the Nations campus, with some girls during 3 months.
After, I'll put on pratice what I learned and, who knows, get in trouble... This year, outreach focus is in the central/east Asia. I don't know where I'm going, but I'm really anxious. After almost 3 months, I'll be back to Hawaii with a huge baggage and a life completely changed.
I guess I'll be back September 27th...